Um lugar que ficará guardado na lembrança... não sei como está hoje, mas também nem sei se quero ver...
Pensar no hidroporto me fomenta vários assuntos pra falar... mas o mais profundo de todos é do meu desconforto diante de mudanças... não excluindo mudanças boas (o que não é o caso do hidroporto, na minha opinião, claro)
Porque privatizar, num condomínio fechado, algo que deveria ser patrimônio contemplativo de todos é no mínimo ridículo, pra não citar a lista de adjetivos que tenho... Mas isso me leva á raiva, e sobre esse assunto eu não quero mais sentir.
Porque também, falar do hidroporto, me desperta vontade de falar da Praia do Jacaré, e falar e falar e falar... mas minhas palavras, desconexas de ações, são no mínimo hipócritas.
... mas não deixam de ser verdadeiras...
... me valho do respaldo que encontro na opinião de quase todos os moradores, frequentadores antigos desse lugar... minha casa...
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Mas, voltando ao hidroporto... esse ai deveria ter sido tombado, sempre falei isso, não somente ele, que é o único que ainda "existe", mas a capelinha e uma casinha inusitada na frente do hidroporto que arrependo-me de não ter tirado fotos dela...
A capela e a casinha viraram entulho, assim como pó os mistérios e perguntas que eu me fazia e não me faço mais... deveria ter feito a alguém alguns anos atrás... mas.... não fiz.
Levei pessoas especiais, e nem tao especiais assim, ao hidroporto... quando antes me sentia a única ali, coisa de criança. Fiquei um dia ate 7 da noite, onde só contemplavam-se milhares, milhões de maruins violentos... Fui de manhã, e como sempre, pelo menos uma vez na semana, ver o único por do sol que valia a pena, ao som de mais nada... só o barulhinho singelo do mangue.
E como toda ilusão de criança, de achar que seu esconderijo era só seu... fui vendo mais e mais pessoas chegando ali, e ninguém que tornasse aquele ambiente especial, como eu achava que fazia. muito pelo contrario, e por causa disso... e das outras coisas que se acometem a estudantes universitários de duas universidades, estagiários, gente com responsabilidades .... fui me afastando...
Ate que fui, ha quase um ano, lá pela última vez, junto com meus três amigos que mais compartilharam os momentos bons daquele lugar, me despedir...
Tirei essa foto e acho que ela retrata perfeitamente tudo que eu mais gostava no meu "nodo"... no meu... que nunca foi... no hidroporto.
E mais um pedacinho da minha infância virou mercadoria pra turista burguês ver e...
não entender nada!
2 comentários:
O sentimento forte em você está muito bem derramado no texto. Como você mesma mencionou, quando falou naquela última visita nossa ao hidroporto, aquilo era especial... eu não cresci nem nunca morei no Jacaré, mas nas minhas muitas idas à sua casa (um dia tempo foi a minha riqueza... e tempo NÃO é dinheiro... é muito melhor) me fizeram valorizar muito o que foi o Jacaré... hoje, o repouso deu lugar ao mercado, o tempo de sobra deu lugar ao dinheiro de sobra, a praia do Jacaré deu lugar à feira do Jacaré. Cadê os piers livres, a casinha engraçadinha (que tinha teto e tudo) e o hidroporto dos amigos que curtem o que é simples, porém adorável? Espero que não tirem o que sobrou... o rio... não duvido de nada.
pelo menos o rio sabe como se defender...
a água sempre sabe!
quanto a isso nao se preocupe...
nunca vi nada tao vingativo e justo quanto um rio ou o oceano...
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