Depois do ensino médio, convenci-me que seria muito interessante fazer o curso de geografia, mas que eu não conseguiria ensinar... com o tempo, e mais conhecimento e o curso de geoprocessamento ampliei meus horizontes e descobri que geógrafos fazem outras coisas além de lecionar.
Finalmente entrei para o tão querido curso de geografia, debaixo de vários dizeres pertinentes ainda hoje de que isso não é bom, de que o curso é ruim... demorei quase três períodos pra descobrir que gostava mesmo daquilo.
Me dediquei como antes nunca havia feito a outros estudos e tirei boas notas, planejei e fiquei feliz com o resultado...
mas pensando hoje melhor... lecionar ainda é muito interessante, me apetece, tenho essa curiosidade, mas definitivamente, espero não me espelhar em meus recentes exemplos...
O mercado de trabalho ruim, baixos salários, alta concorrência e necessidade de alta especialização, dificuldades diversas da profissão, comentários desanimadores e desfalques na instituição de ensino não me desanimaram, mas dessa vez, meus queridos mestres conseguiram.
Esse período as coisas se inverteram. Normalmente eu quem desanimava qualquer professor – tanto potencial dentro de alguém tão irresponsável e relapso como eu, sempre tiravam o estímulo de quem tentava construir algo comigo, em mim...
Dessa vez, tive o privilégio de conhecer diferentes perfis do mesmo profissional, os quais espero guardar muito bem em minha memória.
O professor didático – que constrói a aula em sequências lógicas, de fácil assimilação, com provas justas, material atualizado. Claro que salvo os defeitos, as qualidades desse primeiro foram essenciais referências. Suas aulas faziam-me lembrar conversas de barzinho, mas a sua “matéria” ajudava... assim como o gato branco de tantos exemplos...
O professor estrela - tal como o primeiro, ou melhor ainda, deu aulas maravilhosas, dignas de palestras de auto-ajuda, não precisava nem estudar pra prova depois das aulas. Professor experiente, que aproveitava suas aulas para merchandising de seus próprios livros... No fim das contas não tinha problema, humildade é pra quem precisa, ele não precisava... quem é bom tem certos privilégios mesmo, nisso sempre o admirarei. Mas a tal humildade faltou mesmo na hora de comunicar suas faltas, não fazer aluno “quebrar a cara”, não faltar com o respeito, mesmo que houvessem justificativas... as vezes o professor justifica seus erros como forma de transformá-los não mais em erros, mas em fatos... eu juro que ainda não entendi isso...
O Doutor – muito conhecimento, títulos, de doutor, mas nota zero em didática... falar é essencial, e ser direto, prático, objetivo ajuda e muito... não, ele não fala chines... realmente, mas se falasse pelo menos chines bem, um chines compreenderia! Eu, já não ouço bem, e ainda ter que interpretar um dialeto incomum e impreciso é demais... não fosse só isso. A quantos anos os mesmos exercícios, e mesmas provas? Isso é subestimar demais o networking dos discentes, e o cúmulo do comodismo. Fora tudo mais de esquisito que não cabe citar, e que é indescritível... o que o salva é sua real inteligência, pena, mas uma pena que ela vá quase toda pra cova com ele.
O professor “gente fina” - a primeira impressão é a que engana. Depois da primeira prova, ninguém leva sério... foi a avaliação mais enrolada da minha vida, achei que aquelas conversas de adolescentes de mudar o mundo, socialismo comunismo e partido vermelho não fossem me servir de nada... me enganei! Esse professor me ensinou importante lição: a aparência é que faz a diferença... pra que ler e saber, se você pode enrolar? E enrolar parece ser especialidade desse último citado mestre... viajar bastante também, claro que só na teoria e na promessa, e assim, bem devagarinho... não esquecendo de que com ele também tive importantes aulas de como se fazer um fichamento, uma bibliografia... mas curioso, metodologia não era muito a área dele. Enfim, é devagar que se chega lá... na final... mas, que final? Final não meu querido, “pau mesmo”...
Gostaria de titular esse post de “Aos mestres com carinho”, mas como eu não quero seguir o exemplo de alguns por ai, vou ser mais direta e sincera, nomeei-o de “Aos mestres com... sinceridade”. Aquela que talvez nenhum aluno ainda tenha tido verdadeiramente com tais mestres. Não quero ser confundida com intolerante, chata, reclamona, (nãaaao que é isso?!?) mas apenas não quis deixar passar a inspiração cítica que “ganhei”. Assim, da mesma forma que passei (fui aprovada) nas disciplinas todas desse período, que Deus queira, único em minha vida acadêmica.
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(espero que depois desse post minhas notas não mudem... mas tranquilo, esse blog não é muito visitado)
Um comentário:
Nossa! Acho que essas são as palavras que todo aluno gostaria de dizer. Cada um desses mestres já passou pela vida de cada um!
Ótima crítica. Gostaria que muitos lessem isso aí.
(Se bem que em letras, raros são assim).
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