30 março 2008

Tanajuras... nham nham

--- Março 2008


As formigas tanajuras só aparecem uma vez por ano, no final da tarde, quando chove e faz um pouquinho de sol.
Com o tempo, o chão fica cheio de formigas, vindas não sei de onde, de todos os lados.
São as fêmeas da saúva, cheias de futuro nas suas bundinhas.

As bundinhas...

Elas assim que pousam, tratam logo de despir-se de suas asas, grandonas que elas usam meio mal.

Assim que ficam livres pra caminhar, com certa dificuldade, dado ao tamanho de suas retaguardas, elas acham um lugar adequado, "fofinho" e começam a cavar.

É incrível, elas em poucos minutinhos estão enterradas na areia. Cavando e cavando, pondo pra fora bolinhas de areia. Isso elas fazem com maestria, diferentemente do andar ou voar.

Dali deve surgir um novo formigueiro, vindo todo de sua vasta bundinha.

Antes disso... Quando ela está muito entretida cavando ou procurando um local adequado pra isso vêm os comedores de formiga catar seu aperitivo do chão.

A pobre formiga... Entra numa garrafa pet, ou um copinho descartável, um saquinho plástico e se amontoam junto às outras.

Quando os comedores de bundinhas alheias enchem os recipientes, ou suas colunas pedem "arrego" ao intenso levanta abaixa, as formiguinhas vão para a bacia.

As que ainda estão vivas podem sentir na carapaça a água quente que pretendia lhes tomar a vida. (pretendia... por que formiga é "dura na queda")

Passado a água quente, é a vez da água salgada, nossa, muito salgada... Meia hora depois, bem salgadinha, ainda vivas, por incrível que pareça, é a vez da tesoura.

Ou faquinha mesmo, hora de ficar menor, sem a amada bundinha...

A bundinha vai pra frigideira, o resto, amontoa no lixo, ainda mexendo algumas patinhas... Mas nem tanto.

Na frigideira, com azeite, a bundinha... O que seriam milhares de formiguinhas vai virando "torresminho".

Poc poc poc, e as bundinhas vão ficando no ponto. Uma cebolinha, coloral, nossa comer formiga é estranho, tem que ter um temperinho, vai que é ruim... Nossa... Mais sal e, a farinha de mandioca, cá pra nós, macaxeira.

Mexe mexe e pronto!
Delicia (e quem tem coragem de provar?)

Tá, tudo bem, mas só desce com cerveja, da boa, muito boa. Cada um com seu potinho de farofa de bundinha de formiga. Em pensar que na receita do francês excêntrico o abdômen também ia, perdoe?!

Certo, do potinho pra colher da colher... Droga, num tem pra onde mais, só pra boca.
E foi

Muita farinha, farinha farinha.... E ah num é ruim, é estranho, mas é gostoso.

É eu comeria, um potinho pela metade, porque depois de um tempo, a casquinha da bundinha irrita, é dura, pior que casca de camarão.

É, daqui de casa, foi pra o churrasco do dia seguinte, e depois para o prato dos vira-latas, que preferiam mesmo a ração.

Ano que vem tem de novo, quem sabe, daqui pra mais alguns invernos formiga entra pro cardápio.